Quando figuras públicas e comunicadores compartilham suas vivências de forma aberta, algo muito poderoso acontece: o que antes era vivido no isolamento, na culpa ou na sensação de inadequação ganha nome, contorno e possibilidade de acolhimento.
Recently, durante uma transmissão ao vivo do Corrida das Blogueiras 8 (anunciando as novidades da nova temporada), o apresentador Fih fez um depoimento sincero sobre o seu diagnóstico de neurodivergência. Ele compartilhou como a identificação do TDAH e o início do tratamento trouxeram ganhos concretos na organização da rotina, na pontualidade, na regulação emocional e na sua capacidade de produção.
Um detalhe marcante e emocionante dessa transmissão foi ver o apoio acolhedor do Edu, seu companheiro de vida e dupla no Canal Diva Depressão. O cuidado e a cumplicidade do Edu ao validar a jornada do parceiro evidenciam algo precioso: o valor inestimável de uma rede de apoio amorosa no processo de diagnóstico.
Na mesma linha de conscientização, o ator Bruno Gagliasso relembrou situações cotidianas de esquecimento, enquanto o humorista Gregório Duvivier detalhou em seu podcast a descoberta do TDAH na vida adulta (aos 37 anos), citando sua necessidade de “som branco” para focar e a facilidade com que sua mente divaga diante de pequenos estímulos ao redor.
As características do TDAH — como o esquecimento de compromissos, a alternância entre hiperfoco e desatenção, os atrasos e as oscilações de humor — não afetam apenas o indivíduo, mas atravessam diretamente a convivência a dois.
Sem informação e acolhimento, essas dinâmicas podem gerar atritos, onde o parceiro neurotípico se sente sobrecarregado e o parceiro neurodivergente se sente constantemente “inadequado” ou julgado.
É por isso que a postura compreensiva do Edu com o Fii exemplifica o cenário ideal no acompanhamento do TDAH:
A importância da empatia e apoio do companheiro: Entender que certas falhas de organização ou atenção não são “falta de consideração”, mas consequências de um funcionamento neurobiológico singular.
Construção de estratégias conjuntas: Criar dinâmicas de rotina que funcionem para ambos sem gerar sobrecarga emocional.
Sustentação nos momentos de vulnerabilidade: O processo de adaptação às novas rotinas exige paciência, e contar com o incentivo do parceiro torna a jornada infinitamente mais leve.
Além do suporte emocional, a clareza técnica sobre o diagnóstico é crucial. Vários sintomas atribuídos ao TDAH sobrepõem-se diretamente às características de indivíduos com Altas Habilidades / Superdotação (AH/SD) ou à Dupla Excepcionalidade (quando ambas as condições coexistem).
Um exemplo marcante dessa realidade foi revelado pelo humorista Whindersson Nunes, que compartilhou publicamente ter sido diagnosticado com Altas Habilidades e um QI de 138 durante uma avaliação neuropsicológica abrangente.
O relato de Whindersson ilumina os desafios do funcionamento cognitivo acelerado:
Sentimento antigo de inadequação: O laudo ajudou a dar sentido a sentimentos históricos de solidão e ao fato de se sentir “diferente” desde a infância (preferindo ficar sozinho no recreio a socializar).
Pensamento acelerado e hiperexcitabilidade: A mente que não para gera um questionamento constante e intenso sobre si mesmo, os outros e o mundo.
A arte como “gambiarra” psíquica: Antes de compreender sua condição, ele canalizava toda essa intensidade emocional e criativa por meio do humor, da música e das artes.
O lado desafiador: O diagnóstico de superdotação não protege contra o sofrimento psíquico. Pelo contrário: sem o manejo adequado, a alta autoexigência e o pensamento hiperativo podem evoluir para fadiga mental, ansiedade, depressão e busca de alívio em compulsões.
As vivências de Fii, Bruno, Gregório e Whindersson mostram por que o diagnóstico de uma neurodivergência não deve ser baseado apenas em listas de checagem rápidas na internet.
A realização de uma avaliação neuropsicológica detalhada, associada à escuta clínica psicanalítica, é indispensável para:
Mapear o perfil cognitivo real: Identificar se os desafios de atenção vêm de um déficit executivo (TDAH), de um cérebro superdotado desestimulado/sobrecarregado ou da combinação de ambos.
Evitar condutas inadequadas: Garantir que intervenções medicamentosas ou terapêuticas sejam direcionadas à real origem do sofrimento.
Proporcionar alívio e reconexão: Permitir que o sujeito e sua rede de apoio (familiares, parceiros) ressignifiquem dores do passado e construam um cotidiano com mais qualidade de vida.
Receber um laudo — seja de TDAH, de Altas Habilidades ou de Dupla Excepcionalidade — não é um rótulo que limita, mas um mapa que orienta. A psicanálise oferece o espaço de sustentação para processar o impacto dessas descobertas, integrar a intensidade do próprio funcionamento e construir caminhos mais espontâneos e autênticos de existir.
Se você se identifica com esses relatos, enfrenta desafios de atenção, sobrecarga sensorial, tédio constante, pensamento acelerado ou busca compreender sua dinâmica relacional diante do TDAH/Altas Habilidades, entre em contato para agendar uma consulta presencial (nos consultórios de Perdizes ou Pinheiros, em São Paulo) ou na modalidade online.
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