29 de setembro de 2026

TDAH e Altas Habilidades: o que a cultura pop nos ensina sobre neurodivergência?

por Andressa Vieira

 

Quando figuras públicas e comunicadores compartilham suas vivências de forma aberta, algo muito poderoso acontece: o que antes era vivido no isolamento, na culpa ou na sensação de inadequação ganha nome, contorno e possibilidade de acolhimento.

Recently, durante uma transmissão ao vivo do Corrida das Blogueiras 8 (anunciando as novidades da nova temporada), o apresentador Fih fez um depoimento sincero sobre o seu diagnóstico de neurodivergência. Ele compartilhou como a identificação do TDAH e o início do tratamento trouxeram ganhos concretos na organização da rotina, na pontualidade, na regulação emocional e na sua capacidade de produção.

 

 

Um detalhe marcante e emocionante dessa transmissão foi ver o apoio acolhedor do Edu, seu companheiro de vida e dupla no Canal Diva Depressão. O cuidado e a cumplicidade do Edu ao validar a jornada do parceiro evidenciam algo precioso: o valor inestimável de uma rede de apoio amorosa no processo de diagnóstico.

Na mesma linha de conscientização, o ator Bruno Gagliasso relembrou situações cotidianas de esquecimento, enquanto o humorista Gregório Duvivier detalhou em seu podcast a descoberta do TDAH na vida adulta (aos 37 anos), citando sua necessidade de “som branco” para focar e a facilidade com que sua mente divaga diante de pequenos estímulos ao redor.

 

O impacto no relacionamento e a importância do apoio afetivo

As características do TDAH — como o esquecimento de compromissos, a alternância entre hiperfoco e desatenção, os atrasos e as oscilações de humor — não afetam apenas o indivíduo, mas atravessam diretamente a convivência a dois.

Sem informação e acolhimento, essas dinâmicas podem gerar atritos, onde o parceiro neurotípico se sente sobrecarregado e o parceiro neurodivergente se sente constantemente “inadequado” ou julgado.

É por isso que a postura compreensiva do Edu com o Fii exemplifica o cenário ideal no acompanhamento do TDAH:

 

  • A importância da empatia e apoio do companheiro: Entender que certas falhas de organização ou atenção não são “falta de consideração”, mas consequências de um funcionamento neurobiológico singular.

  • Construção de estratégias conjuntas: Criar dinâmicas de rotina que funcionem para ambos sem gerar sobrecarga emocional.

  • Sustentação nos momentos de vulnerabilidade: O processo de adaptação às novas rotinas exige paciência, e contar com o incentivo do parceiro torna a jornada infinitamente mais leve.

 

O contraponto clínico: TDAH ou Altas Habilidades / Superdotação?

Além do suporte emocional, a clareza técnica sobre o diagnóstico é crucial. Vários sintomas atribuídos ao TDAH sobrepõem-se diretamente às características de indivíduos com Altas Habilidades / Superdotação (AH/SD) ou à Dupla Excepcionalidade (quando ambas as condições coexistem).

Um exemplo marcante dessa realidade foi revelado pelo humorista Whindersson Nunes, que compartilhou publicamente ter sido diagnosticado com Altas Habilidades e um QI de 138 durante uma avaliação neuropsicológica abrangente.

O relato de Whindersson ilumina os desafios do funcionamento cognitivo acelerado:

  • Sentimento antigo de inadequação: O laudo ajudou a dar sentido a sentimentos históricos de solidão e ao fato de se sentir “diferente” desde a infância (preferindo ficar sozinho no recreio a socializar).

  • Pensamento acelerado e hiperexcitabilidade: A mente que não para gera um questionamento constante e intenso sobre si mesmo, os outros e o mundo.

  • A arte como “gambiarra” psíquica: Antes de compreender sua condição, ele canalizava toda essa intensidade emocional e criativa por meio do humor, da música e das artes.

  • O lado desafiador: O diagnóstico de superdotação não protege contra o sofrimento psíquico. Pelo contrário: sem o manejo adequado, a alta autoexigência e o pensamento hiperativo podem evoluir para fadiga mental, ansiedade, depressão e busca de alívio em compulsões.

 

A importância da testagem e da avaliação neuropsicológica

As vivências de Fii, Bruno, Gregório e Whindersson mostram por que o diagnóstico de uma neurodivergência não deve ser baseado apenas em listas de checagem rápidas na internet.

A realização de uma avaliação neuropsicológica detalhada, associada à escuta clínica psicanalítica, é indispensável para:

  1. Mapear o perfil cognitivo real: Identificar se os desafios de atenção vêm de um déficit executivo (TDAH), de um cérebro superdotado desestimulado/sobrecarregado ou da combinação de ambos.

  2. Evitar condutas inadequadas: Garantir que intervenções medicamentosas ou terapêuticas sejam direcionadas à real origem do sofrimento.

  3. Proporcionar alívio e reconexão: Permitir que o sujeito e sua rede de apoio (familiares, parceiros) ressignifiquem dores do passado e construam um cotidiano com mais qualidade de vida.

 

O acolhimento pela Psicanálise Neuroafirmativa

Receber um laudo — seja de TDAH, de Altas Habilidades ou de Dupla Excepcionalidade — não é um rótulo que limita, mas um mapa que orienta. A psicanálise oferece o espaço de sustentação para processar o impacto dessas descobertas, integrar a intensidade do próprio funcionamento e construir caminhos mais espontâneos e autênticos de existir.

 

 

Você está em busca de avaliação ou acompanhamento para neurodivergência?

Se você se identifica com esses relatos, enfrenta desafios de atenção, sobrecarga sensorial, tédio constante, pensamento acelerado ou busca compreender sua dinâmica relacional diante do TDAH/Altas Habilidades, entre em contato para agendar uma consulta presencial (nos consultórios de Perdizes ou Pinheiros, em São Paulo) ou na modalidade online.

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